IV Workshop: Jumentos do Brasil
- ACCS MECV65

- 29 de jun.
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Durante as últimas décadas, a população de jumentos teve uma queda imensa. Devido à demanda internacional pela sua pele; o animal que é símbolo da cultura nordestina enfrenta hoje uma ameaça concreta à sua sobrevivência. Esta crise ao rebanho global de asnos ocorreu, pois o colágeno de sua pele é utilizado para produção de uma gelatina chamada Ejiao, que pode ser utilizada em cosméticos e alimentos/suplementos. Na cultura chinesa era utilizado antigamente apenas por imperadores e realeza, o produto se popularizou enormemente entre a crescente classe média da China sob a promessa de benefícios à saúde e propriedades antienvelhecimento. A indústria tem uma demanda de 4,8 milhões de peles ao ano, na China a população de jumentos foi de 11 milhões para menos de 3 milhões (Queda de 72.73%). Resultando em uma demanda pela pele em outros
continentes como África e América do Sul, colocando o rebanho brasileiro como alvo da indústria de peles. Durantes os dias 6 à 8 de maio, a equipe da Rota do Jumento atuou participando do IV Workshop Internacional Jumentos do Brasil: Futuro
Sustentável. Organizado pelo Núcleo de

Estudos, Extensão e Pesquisa em Equídeos (Neepeq/UFBA), pelo projeto A Rota do Jumento (UFBA) e pelo Grupo de Estudos em Equideocultura do Recôncavo Baiano (GEERB/UFRB), o evento reuniu 296 inscritos. Em seguida falaremos um pouco sobre os assuntos abordados no evento.
O modelo de abate atual opera de forma predatória, extrativista e insustentável. Durante o workshop, foram mostradas as graves falhas de fiscalização e os maus-tratos sistêmicos aos quais esses animais são submetidos, durante todo o caminho até o abatedouro. Foi provado como as rotas globais de comércio de peles estão frequentemente ligadas a atividades ilegais, como o tráfico
internacional de animais selvagens.
A falta de rastreabilidade no transporte dos animais é uma ameaça direta à saúde pública, foi provado a vulnerabilidade sanitária da cadeia, que permite disseminação de doenças graves incluindo zoonoses como mormo No aspecto ambiental, a remover o jumento da caatinga gera um
grande desequilíbrio, uma vez que a espécie realiza serviços ecossistêmicos essenciais para a região. Neste cenário o terceiro setor encontra muitos desafios na tentativa de judicializar a causa, fiscalizar os abusos e acolher os animais resgatados
A indústria atual de extração de pele de jumentos é inviável a longo prazo, além de todos os efeitos negativos citados até agora. Alternativamente foi introduzido a agricultura celular como uma forma de manter a produção do Ejiao, mas sem impacto á população de asnos; a proposta da biotecnologia é produzir colágeno biologicamente idêntico em biorreatores, a partir de uma levedura, eliminando
a necessidade do abate, e tornando o produto algo ético, seguro e livre de crueldade.
Foram abordado desafios da conservação das raças

de jumento em âmbito mundial, enquanto também foi abordado o exemplo da união africana, onde 55 países firmaram um acordo de suspensão temporária para banir o abate em seus territórios. Como foi alertado, o direito do consumidor exige transparência total nas cadeias de produção, garantindo que a sociedade compreenda o real custo socioambiental do produto que chega ao mercado.
A recente proibição judicial do abate no estado da Bahia representa uma vitória histórica, mas o trabalho contínuo de conscientização é indispensável. O projeto A Rota do Jumento permanecerá atuando como um elo entre a universidade, o campo e a sociedade civil, consolidando estudantes, professores e pesquisadores como agentes de transformação.
Realização e Apoio: A grandiosidade deste debate foi viabilizada pela organização conjunta do Neepeq/UFBA, A Rota do Jumento (UFBA) e GEERB/UFRB, com o apoio estratégico de entidades comprometidas: Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, Grupo de Pesquisa e Extensão em Equídeos (UFAL), Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, The Donkey Sanctuary, CRMV-BA, Instituto VIDA, PPGZ/UFBA e a Frente Parlamentar em Defesa do Bem-Estar Animal
da ALBA.
O jumento nordestino é um símbolo de resistência, de relevância cultural e de equilíbrio ambiental.
Convidamos você a acompanhar as atualizações contínuas em nosso site e através do Instagram
oficial, @rotadojumento. Fique bem informado, participe da cobrança junto às autoridades e acompanhe de perto os próximos avanços do projeto.





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